08 julho 2007

Algarve 4

Chegam enfim os cantos das gaivotas
A quietude usurpa o bulício que reinava
O mar arrasta-se para a praia com o cansaço do fim do dia
O silêncio do vento grita surdamente
A luz agita-se mais devagar

Algarve 3

Rochas e grutas
Medos e conquistas
Atravessando a escuridão por uma promessa de mar

Algarve 2

Formigando por entre as rochas nuas e o sol ardente
Bebendo a água salgada deste mar azul
Labutando árduamente por coisa nenhuma
Ardendo neste forno de pedra ocre e de pedras trituradas
movimentando-se sob o néon azul deste céu esmagador
Corpos parados agitados sem cessar

Algarve 1

Estes corpos de mulher
estes seios ponteagudos, redondos, bicudos
estes peitos pequenos, abundantes, louros, rechonchudos
Estas coxas abertas, impúdicas, desnudadamente honestas
Esta atracção , esta tensão
a vibração ondulante deste calor ofuso que nos cerca
estes corpos que se dão á luz
que se tapam, que se mostram, que se escondem
estes corpos de mulher

Rio

O horizonte fugiu para longe
expulso pelo céu omnipresente imponente
Céu e mar cercam-nos, fazendo-nos crer no centro do universo
na fronteira de dois mundos